HISTÓRIA DA ASSOCIAÇÃO E DO CORPO DE BOMBEIROS.
Primeiro e único caso de Fusão em Portugal.

O Corpo de Bombeiros Voluntários do Concelho de Espinho iniciou a sua atividade no dia 28 de Novembro de 2015 e é detido pela Associação Humanitária Bombeiros Voluntários do Concelho de Espinho. É o mais jovem do país assim como o primeiro e único até ao momento que nasce da fusão de duas Associações Humanitárias de Bombeiros (AHB) e de dois Corpos de Bombeiros (CB) existentes no mesmo município:

  • AHB Voluntários de Espinho fundada em 18 de Outubro de 1895;
  • AHB Voluntários Espinhenses fundada em 1 de Janeiro de 1928.

As duas AHB e CB desenvolveram ao longo dos anos de coexistência sua atividade de forma paralela e individual, não obstante o facto de em operações de socorro trabalharem regularmente em conjunto. De certa forma, pode-se até dizer que a população em auxílio beneficiou sempre de uma rivalidade e competição saudáveis que levou sempre a que cada um desejasse ser melhor que o outro.
Porém, num município pequeno como Espinho com cerca de 21.000km2 e 33.000 habitantes, cedo se tornou evidente a duplicação de recursos e dispersão de esforços decorrente da existência de duas entidades na mesma rua e a 340 metros de distância.

Em 1945 surge a primeira tentativa de fusão sem qualquer resultado prático, assim como a segunda ocorrida em 1999.

Em 2010 toma posse nos Bombeiros Voluntários Espinhenses um novo quadro de comando liderado por Pedro Louro e que define, como um dos objetivos principais, a criação de um Agrupamento de Bombeiros em Espinho, com vista a partilhar recursos, estimular e melhorar o trabalho conjunto, a uniformização de procedimentos e intervenções, melhorando a resposta às operações de socorro. A ideia da criação do Agrupamento é rapidamente acolhida pelo presidente da Associação, cuja presidência competia a Aires Poças.

Em 2011 toma posse como Comandante nos Bombeiros Voluntários de Espinho Albertino Ventura, que partilha da importância da criação de um Agrupamento e que promove a ideia junto da sua Associação, presidida por Conde Figueiredo. A ideia é também subscrita e apoiada de imediato.

Com igual entusiamo, a Câmara Municipal de Espinho presidida por Pinto Moreira, torna-se parceira e participa ativamente no processo, apoiando de diversas formas muitas das medidas tomadas.

O Agrupamento das Associações Humanitárias dos Bombeiros Voluntários da Cidade de Espinho é constituído em 24 de Fevereiro de 2013 na presença do então Ministro da Administração Interna Miguel Macedo, por altura da cerimónia das comemorações do 85º aniversário dos Bombeiros Voluntários Espinhenses.

Os sócios fundadores desta nova entidade são assim as duas AHB existentes em Espinho. O presidente é Conde Figueiredo e o vice-presidente é Aires Poças. Pedro Louro é nomeado Comandante Operacional do Agrupamento e todos os elementos do quadro de comando passam a integrar o Gabinete de Comando Operacional conforme previsto nos estatutos.

O principal objetivo subjacente a este passo histórico foi criar uma entidade que pudesse promover a candidatura a fundos comunitários para a construção de um quartel único em Espinho que permitisse albergar a totalidade de recursos humanos e materiais. O terreno para a construção estava assegurado pela Câmara Municipal de Espinho.

Paralelamente, inúmeros esforços são desenvolvidos no sentido de melhorar a resposta às operações de socorro, uniformizar procedimentos através de instrução conjunta, entre outros. Pela primeira vez os bombeiros passam a receber formação e treino em conjunto assim como a frequentar de forma regular as instalações de ambos os quartéis. As mais valias tornaram-se inegáveis e as sinergias obtidas por via do Agrupamento foram por demais evidentes.

Contudo, a falta de legislação reguladora desta nova realidade de Agrupamento, causou ao longo do tempo inúmeros constrangimentos e vazios legais. As direções e quadros de comando veem-se obrigadas, em 2015, a refletir sobre que caminho seguir, cientes das mais valias de estarem a trabalhar em conjunto e da necessidade de encontrar soluções libertadoras do crescimento restrito do ponto de vista operacional e administrativo-financeiro. O Comandante Pedro Louro em conjunto com o 2º Comandante António Proença, à data comandante em regime de substituição do CB de Espinho, preparam dois documentos que viriam a ser subscritos de forma unanime por todos os elementos do quadro comando em funções em ambos os CB: 2º Comandante Ricardo Corvo, Adjunto de Comando Pedro Dias e Adjunto de Comando Jorge Pereira:

  • Memorando para a fusão dos Corpos de Bombeiros;
  • Memorando para a fusão dos Corpos de Bombeiros – veículos, pessoal, espaços físicos e serviços.

O entendimento e alinhamento de posições transmitido nestes documentos deu à direção do Agrupamento o conforto necessário para que, também do ponto de vista das entidades detentoras, se pudesse dar o passo seguinte – a fusão das duas Associações e dos dois Corpos de Bombeiros que compunham o Agrupamento.

Depois de realizadas as respetivas assembleias gerais nas AHB de Espinho e Espinhenses, presididas respetivamente por Carlos Padrão e Adérito Santos, as direções são mandatadas para a alteração dos estatutos do Agrupamento. Em 24 de Agosto de 2015 os estatutos do Agrupamento são alterados e é constituída a Associação Humanitária Bombeiros Voluntários do Concelho de Espinho.

Posteriormente todo o pessoal que compunha os Corpos de Bombeiros é transferido para esta nova entidade e, em 28 de Novembro de 2015, toma posse o novo quadro de comando composto por todos os elementos dos quadros de comando em funções.

Este é o único caso no país até ao momento, e tem vindo a ser apontado como um modelo de sucesso a replicar em muitos concelhos do país.

Em pouco mais de três anos foram possíveis sinergias e economias de escala que trouxeram muitas vantagens, entre as quais:

  • Criação de uma central única de comunicações para todo o concelho;
  • Profissionalização dos serviços operacionais mínimos, passando de 23 para 43 profissionais, sendo que a quase totalidade dos novos funcionários foi recrutada no seio dos bombeiros voluntários jovens à procura do 1º emprego ou jovens desempregados;
  • Criação de 3 Equipas de Intervenção Permanente com o apoio do Município de Espinho, que constituem a Brigada de Intervenção Permanente;
  • Organização de uma Brigada de Emergência Pré-Hospitalar, que operacionaliza o Posto de Emergência Médica do INEM entretanto criado, assim como uma segunda ambulância de socorro de reserva;
  • Regularização dos direitos laborais de todos os funcionários do Corpo de Bombeiros com contratos de 40 horas semanais;
  • Constituição de um Dispositivo de Salvamento Aquático com apoio do Município de Espinho;
  • Redução em 95% das recusas de serviço de emergência pré-hospitalar que aconteciam comparativamente aos 5 anos anteriores à fusão, com aumento paralelo de 35% da procura;
  • Aumento em 39% do transporte de doentes para ambulatório, com uma média de 600 transportes semanais, com praticamente os mesmos recursos existentes à data da fusão;
  • Triplicação dos operacionais certificados pelo INEM na valência de Tripulante de Ambulância de Socorro;
  • Redução e modernização da frota de veículos;
  • Certificação da área da formação pela Direção Geral do Emprego e Relações de Trabalho (DGERT);
  • Aprovação do financiamento comunitário e início da construção de um novo quartel, onde será integrada toda a estrutura existente.

A Associação Humanitária Bombeiros Voluntários do Concelho de Espinho e o seu Corpo de Bombeiros são de facto a prova que JUNTOS SOMOS SEMPRE MAIS FORTES e… ONDE E QUANDO FOR PRECISO!

RESUMO DA NOSSA HISTÓRIA.